sexta-feira, 5 de março de 2010

POEMA
Dade Anorim
[ in Inscrições ]

Te conheci bem antes dessa manhã
quando te inventei.
Te trago há tanto tempo!
A tua identidade é um pouco a minha,
teu pensamento deita em meu repouso.
Te conheci bem antes
e te reconhecer
é como andar de madrugada pelo campo.



Roubei do blog de Moacy Cirne, que eu amo.

A bailarina


Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

Cecília Meireles

Como diz meu amigo Gadelha:
"A espera corta o fio, o frio não anula o cio"
Sou fã dos meus amigos e quando os quero pra mim os tenho!

http://www.myspace.com/onoffre
http://www.myspace.com/luizgadelhamusica

Eles são meus meus meus!!! e tudo foi feito pra mim mim mim!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Meus eus!


Ah! se eu tivesse a coragem dos personagens que interpretei! talvez tudo seria diferente!
A vontade de seduzir quem sempre desejei, a vontade de gritar com quem sempre temi, a vontade de chorar quando bem desejar e nao ter a mim mesma pra julgar, com a consciência cristã que me condena.
Se um dia eu deixar os palcos, deixarei com ele a possibilidade de ser quem nao sou, e sentir o pequeno prazer que só terei na pele desses seres que desaparecem com os aplausos do publico atento.

Em 2000, comecei uma série sobre figuras populares de Natal (RN) para o site Natal na Íntegra. André da Rabeca estava nos primeiros nomes pautados e chegou a ser fotografado, mas a matéria não foi concluída. No dia 6 de agosto de 2008, de volta à cidade, encontrei André no meio-fio em frente à Manchete Calçados, na esquina das ruas Coronel Cascudo e Princesa Isabel, na Cidade Alta. Saquei o “chaveirinho” do bolso e fiz algumas fotos. André não era de muita conversa, mas, encantado com a máquina, me perguntou quanto custava e comentou que poderia ganhar uns trocados a mais se tivesse uma, fotografando os casamentos nos quais, vez ou outra, era chamado para tocar.

Nascido no interior do Rio Grande do Norte em 27 de outubro de 1942. Segundo seu pai, André era mole e não dava para trabalhar na roça. No início dos anos 80, pegou a estrada para a capital e foi tocar rabeca nas ruas. As últimas notas de sua história como rabequeiro foram dadas em dezembro passado. A tuberculose se manifestou mais uma vez e seu estado de saúde piorou rápido. Como todo desvalido, fez sua peregrinação pelos postos e hospitais públicos: Posto de Saúde de Mãe Luíza (bairro onde morava), Hospital dos Pescadores (Rocas) e Walfredo Gurgel. Medicado e mandado para casa, sem o tratamento adequado, só parou no quarto, o Giselda Trigueiro, quando já era muito tarde. Deu entrada na segunda, 11 de janeiro, e faleceu na tarde do sábado seguinte, dia 16, às 16h05.

André morreu aos 67 anos, deixando Dona Nazaré, sua esposa, e cinco filhos. Destes, só Ivanilson, o mais novo e único nascido em Natal, morava com ele. Os três filhos homens estiveram no sepultamento no cemitério do Bom Pastor, no domingo, 17. As duas filhas, que moram em cidades do interior, nem sabem que o pai faleceu. Nenhum deles aprendeu a tocar rabeca. Nem os muitos netos. O instrumento, que nos últimos tempos ficava na lanchonete Fri-Shop (em frente à Manchete Calçados), continua guardado por Jeane Araújo, dona do local. Segundo Ivanilson, a rabeca será doada ao Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão.


Bolg de Sandro Fortunato :"Sempre Algo a Dizer"

sábado, 21 de novembro de 2009

Canção de Amor para uma moça judia

Conheço Rosinha Palatnik
por um único retrato de louça
que vive no cemitério
entre os túmulos judeus
Morreu em 1936 aos vinte anos de idade
e há sobre a lápide letras em hebraico
que não decifro

Talvez suicídio, talvez outra sorte
De qual morte morreu essa moça judia
que não morre?
De qual vida ela vive naquele retrato
de louça que mais parece de carne
E por que vem assim
semear-me no meio da tarde?

O que te devo, mulher, o que queres?
Viveste na minha cidade
e queres ainda viver por mim, por meus olhos
por minha carne de homem
boca lábios ouvidos
e queres ser uma música

Te vejo em muitos lugares
sempre dentro do retrato
presa e viva, branca e morta
Que queres, mulher,
tanto tempo depois do tempo
em que houve calor para ti no mundo?
Que queres da tua janela de vidro
com o teu corpo de cinzas

Não me faças desejar-te assim
Tu que não tens mais carne
para o meu desejo
nem sequer seda de vestido que eu toque
nem um corpo nem seios
só o retrato frio na lápide

Que amor terrível é este que me trazes?


Iracema Macedo

Recitei esse poema num sarau poético que participei em 2001 no centro experimental de pesquisa Teatral aqui em Natal.

Era uma época em que eu fazia parte de um Projeto chamado Poéticas potiguares em que tinha que encenar poemas de poetas potiguares uma vez por mês, onde tive a oportunidade de conhecer os principais nomes da poesia potiguar como Ney Leandro de Castro, Marize Castro, Iracema Macedo, Moaci Cirne e tantos outros.

Foram dois anos fazendo mensalmente esse trabalho que era um desafio, pois colocar em cena a subjetividade da poesia não era nada fácil.